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3 de agosto de 2015

Resenha: Laranja Mecânica

Título: Laranja Mecânica
Autora: Anthony Burgess
Editora: Aleph
Páginas: 199

Narrada pelo protagonista, o adolescente Alex, esta brilhante e perturbadora história cria uma sociedade futurista em que a violência atinge proporções gigantescas e provoca uma reposta igualmente agressiva de um governo totalitário. A estranha linguagem utilizada por Alex - soberbamente engendrada pelo autor - empresta uma dimensão quase lírica ao texto. Ao lado de "1984", de George Orwell, e "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, "Laranja Mecânica" é um dos ícones literários da alienação pós-industrial que caracterizou o século XX. Adaptado com maestria para o cinema em 1972 por Stanley Kubrick, é uma obra marcante: depois da sua leitura, você jamais será o mesmo.
 
Olá amores, tudo bem com vocês? espero que sim. A resenha de hoje foi a minha segunda leitura da #MLI2015, sim eu demorei bastante para escrevê-la o motivo é que o estranhamento que essa leitura me causou ainda persiste em mim...

Em Laranja Mecânica conhecemos Alex protagonista e narrador na estória, Ele junto com seus "druguis" Tosko, Pete e Georgie compõe uma gangue que passa suas noites cometendo crimes perversos pelo o puro prazer de toda essa "Ultraviolência", roubos, espancamentos e estupros estão dentre os crimes cometidos.


Um dia eles decidem invadir a casa de uma senhora, e Alex traído pelo os seus amigos acaba sendo preso e condenado a quatorze anos de prisão. Preso, vendo que sua única chance de sair da prisão era se submeter a um tratamento experimental chamado de: Técnica Ludovico - promete extinguir o instinto criminoso e inserir o jovem a sociedade em duas semanas.
- Será sua própria tortura - ele disse, sério. - Espero, por Deus, que essa tortura enlouqueça você.
Mas no que consiste a Técnica Ludovico? o jovem Alex foi mantido preso em uma cadeira, forçado a manter seus olhos abertos e fixos a uma tela de cinema onde passava diversos filmes com um auto teor de violência; associado a isso, era ministrado um coquetel de "vitaminas" que na verdade eram substâncias capazes de fazê-lo sentir náuseas e desconforto. Com isso estava presente o tema: lavagem cerebral, onde o jovem é condicionado a associar mal estar com agressividade, repelindo assim qualquer atitude agressiva, mesmo que para sua própria proteção. Era obrigado a ser gentil ou o forte mal estar e enjoos voltariam.

Será que um homem que escolhe o mal é talvez melhor do que um homem que teve o bem imposto a si?
Como já falei antes, o livro é narrado em primeira pessoa pelo o Alex o que nos trás uma grande proximidade e me fez sentir na pele do próprio, quase pude me ver assistindo toda aquela dose de violência ministrada - o que foi uma sensação terrível diga-se de passagem - A estória é dividida em três partes cada uma com sete capítulos, totalizando vinte e um, um analogia a maioridade penal. 
Na primeira parte conhecemos a vida do protagonista e sua gangue, e todos os crimes descritos com detalhes e com uma linguagem não usual, um dialeto criado pelo o autor chamado de Nadsat ( Mistura do russo com o inglês, ou português no caso da tradução).
A segunda parte conta toda a trajetória do Alex na cadeia e o tratamento Ludovico. 
Na terceira parte vemos um Alex mudado, "bom" mas não por vontade própria, o instinto cruel ainda existia nele só não podia expressa-lo, é nessa parte que ele é inserido novamente na sociedade..


Pessoalmente achei Laranja Mecânica uma leitura difícil e interessante, a primeira parte é certamente o maior desafio para o leitor pela a falta de familiarização com o novo dialeto, com o tempo esse estranhamento diminui e acaba-se por ler palavras como: Horrorshow, dobi, sluchar, como se fosse perfeitamente normal, e isso para mim que torna o Anthony Burgess um gênio.
Quando você pensa que foi completamente intencional, o autor quis causar esse estranhamento no leitor e quis que ao final da leitura eu, e você que já leu ou pretende ler saísse com um mini vocabulário russo -simular uma espécie de lavagem cerebral-.


Além de toda a crítica política presente na obra que não vou entrar nessa questão, são tantas vias para analisar com um único livro que se fosse discriminar todas aqui essa resenha ficaria enorme.
Em todo caso, eu gostei da leitura, e não gostei do nosso protagonista, achei que sofreu pouco, mas a genialidade do autor merece aplausos de pé.

ps: terminei a leitura pela a manhã e vi o filme a tarde o qual não consegui terminar de ver..

Classificação DNA

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