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3 de setembro de 2016

Resenha: O lado fatal - Lya Luft

Título: O lado fatal
Autora: Lya Luft
Editora: Record
Páginas: 91
'O lado fatal' foi composto a partir de uma grande perda. Um desabafo, um modo de renascer e sair de um momento sombrio. Lançado pela primeira vez em 1988, foi sucesso editorial por anos a fio, até que, a pedido da autora, teve sua publicação interrompida. Vinte e três anos depois, o distanciamento que o tempo trouxe e o novo olhar sobre sua obra deram à autora a compreensão de que 'O lado fatal' não pertencia apenas a ela: ele pertence ao leitor.
  

Oi gente, tudo bem?
Estamos ausentes, eu sei. Leituras atrasadas, resenhas atrasadas, filmes e seriados atrasados... espera um pouco é só com o DNA que isso está acontecendo? 
Me digam que tem mais pessoas assim também, please.

Ano passado foi a primeira vez que li algo da Lya Luft e sinceramente eu gostei muito. Então este ano eis me apresentam esse outro livro dela, poucas páginas, fácil e rápido para ler porém de uma dor/tristeza que não sei como descrever.

Penso que só quem perdeu alguém consegue mensurar ou talvez não, pois a dor não é a mesma para todos certo? Apesar da palavra ser a mesma para todos nós, DOR para cada um de nós tem um tamanho (se assim posso dizer) diferente, cada um lida com sua da maneira que lhe convém, com o tempo que achar necessário. Nem curto, nem longo o tempo é diferente o meu tempo não é o tempo do outro e isso deve ser respeitado.

Uns mudam as coisas de lugar, outros deixam como estava; mesmo sabendo que deve seguir com sua vida; uns ficam na recordação, outros arrumam viagens, voltam a trabalhar tudo para não recordar. Neste livro percebemos a dor da sua perda e da necessidade de passar por ela a seu modo. Triste ver essa dor, a vontade de fazer algo quando na verdade a única coisa a se fazer é respeitar e estar ali para se precisar. Aprendi com a Lya neste livro que os tempos são diferentes, que cada um encontra sua maneira de passar por esse luto, que não cabe julgar se já é cedo ou tarde, pois o sentimento é do outro, só cabe respeitar e estar presente se precisar.

O meu amado morreu:
preciso viver sua morte até o fim.
Morreu sem que se instalasse entre nós cansaço e banalidade.
Talvez tenha morrido na medida certa para nada se desgastar.
Dele me vem a dor, mas também a ternura, a claridade que
me permite ver em todos os rostos o seu rosto
em todos os vultos o seu vulto e ouvir em todos os 
silêncios o seu inesperado riso de criança.
Só lendo o livro para entender, eu senti esse livro porém as palavras me fogem na hora de escreve-las. Eis um livro que não recomendo para todos, hoje os sentimentos são frágeis então pode ser que em certo momento ele deixa de ser adequado para leitura e as vezes pode ajudar quem passou ou passa por este processo como Lya Luft, logo cabe a você decidir.  Fico por aqui, espero que tenham gostado. Até breve e um forte abraço!

CLASSIFICAÇÃO DNA
 
27 de janeiro de 2016

Resenha: O Próximo da Fila - Henrique Rodrigues

Título: O Próximo da Fila
Autora: Henrique Rodrigues
Editora: Record
Páginas: 191
2015


"O Próximo da Fila é um original e divertido romance de formação que retrata os sonhos, as frustrações e medos de uma das épocas mais conturbadas que vivemos: a entrada na vida adulta. Após a morte do pai, o protagonista se vê responsável por ajudar a mãe a cuidar da casa e do irmão mais novo. Jovem e inseguro, consegue um emprego em uma rede fast-food, trabalho que tenta conciliar com os estudos, e encontra seu primeiro amor, uma garota cujo sumiço misterioso será o derradeiro passo da dura e necessária transição para a maturidade."



“O rapaz do caixa na lanchonete chama o próximo da fila. É a minha vez de comprar um café.” (Pg. 187) 

E é a minha vez de dizer que a estreia do autor neste estilo literário foi muito bem sucedida, obrigada! É a minha vez, mas poderia ser a sua.image

A história, que começa pelo fim com um narrador onisciente e suas reflexões e logo passa a ser contada em primeira pessoa pelo jovem protagonista inominado, em forma de memórias, retrata o Brasil dos anos 90 e as dificuldades e esperanças de uma família cujo chefe-pai-provedor falece cedo, deixando esposa e dois filhos no caos da instabilidade financeira.
O filho mais velho, ainda adolescente e muito dedicado aos estudos sofre com o beco sem saída que a vida lhe ofereceu; precisa mudar de casa, bairro, escola e sobretudo, ajudar no sustento de sua família. Conseguir um emprego e mantê-lo será apenas o começo dessa viagem por um mar que, definitivamente, não é de rosas: a vida adulta. 

A jornada desde a entrevista de emprego à contratação por uma grande e famosa rede de fast-food, seus procedimentos, hierarquias, colegas, promoções, intrigas e acima de tudo, nunca se esqueçam, seguir o “Padrão”, lutar contra os preconceitos, revolucionar ou obedecer? se apaixonar... quem diria? Tudo acontece ali, dentro e fora dos uniformes listrados.

“Depois que acaba a sessão, sou conduzido pela treinadora para um tour pelas áreas. Apresentam-me a cada uma, ouço nomes que as designam, alguns em inglês – cujo significado finjo entender com um ahh – , e aos demais funcionários. Eles me cumprimentam de formas diferentes, e alguns parecem ainda estar em processo de treinamento. Outros, mais velho, me cumprimentaram com certo desdém. Manos a senhora que conheci quando fui me inscrever. Ao me ver, ela dá uma gargalhada e depois as boas-vindas, Ah, então você decidiu arriscar. Até que o uniforme não te deixa tão feio como acontece com a maioria. Boa sorte, garoto, boa sorte nisso aqui...”

Percebam, as personagens não possuem nomes. Eles não precisam de um. Eles já têm todos, o seu, o meu, o da sua vizinha... Aposto uma dúzia de hambúrgueres que alguém já leu esse livro e nem percebeu que eles não tinham nomes próprios.

Algumas inserções me deixaram com um risinho no rosto então as apontarei para que tirem suas próprias conclusões: a Senhorinha da limpeza, muito observadora e sábia e... tantan da cabeça? Será? O Gerente de bigode, com toda sua autoridade e militarismo... Um homem que não tem mais de 40 anos, um conselheiro, a própria encarnação do ciclo, que começou como o protagonista e tornou-se escritor, a grande ambição do jovem assalariado de uniforme listrado... Aponte seus favoritos, são várias sacadas!

Quanto à história de amor, ahh eu queria que não tivesse sido tão trágica, mas é que Shakspeare ditou um padrão que as pessoas insistem em tentar superar, e como esse romance trata de lidar com fatos cotidianos, toma essa! A vida é mesmo quase sempre injusta.

Ainda bem que existem os poetas, os Drmmonds de Andrade para suavizar e inspirar, porque Henrique Rodrigues, magistralmente trouxe leveza e fluidez para sua narrativa, esse livro é pra ler num tapa.


E no final que venha o trote, ele passou no vestibular, vida que segue. Próximo!


Classificação DNA



19 de novembro de 2015

Resenha: Criador e Criatura - Luigi RicciardiI

 Título: Criador e criatura
Autor: Luigi RicciardiI
Editora: Kazuá
Ano: 2015
Pág: 132


“Bem-vindo ao deserto do real” é a frase pronunciada por Morpheus para recepcionar Neo no mundo “real” no filme Matrix. Na célebre trilogia de ficção científica, as pessoas conectadas à Matrix jamais se perguntam se a realidade que as cerca é a vida real. Em um paralelo com o filme, uma das personagens do novo livro de Luigi Ricciardi se dá conta de que a vida que leva é bem real, mas que fora criada por um escritor. Em outro conto, um escritor recebe a incumbência de ser a própria morte. Mas na Literatura o escritor já não tinha esse poder/fado? É nesse tom que vem Criador e Criatura: desafiando os limites da ficção, abrindo um buraco em suas paredes para ver o que há além, onde o escritor brinca de ser Deus.

 


meu criador sabe o quanto é difícil escrever sobre obras assim! O intuito dessa resenha é apresentar pinceladas de alguns contos enquanto tento transmitir algumas sensações que tive ao lê-los. Já me desculpo se não curtirem o estilo ou não perceberem a intenção, aproveitando para me utilizar da última citação que antecede o índice desse livro, transcrevendo William P. Young: 

“Se você odiar esta história, desculpe, ela não foi escrita para você.”

Não, não odiei a história, mas ela também não foi escrita para mim. Ela foi escrita para a alma dos que criam mundos e submundos, dos que são pintores de letras em telas de papel. Ao deleite do leitor, as histórias abrem suas portas para esse universo da Literatura, um universo metalinguístico, surpreendente, chocante, que o autor intrincou com várias técnicas, com destaque para a francesa Mise En Abyme, a narrativa do abismo, que te caleidoscopa infinitamente.


O livro é dividido em 17 contos, o primeiro deles, Criador e Criatura, que dá nome à obra, traz o rompimento da criatura com o criador, com uma espécie de “ahá!” a personagem-criatura enfrenta o seu escritor-criador: 
“Você me criou, mas sou eu que vivo”, e sendo mulher, “saiu rebolando e dizendo com as ancas que esse era o fim”
O conto Eu, Literatura, envereda no modo literatura-marginal, num dos conflitos mais antitéticos da humanidade, na seara de vida e morte concluindo que 
“O homem que escreve se vai, mas o que ele escreveu fica”. 
Escrever é deixar um legado, é se fazer eterno; vive-se mesmo após a morte em suas palavras publicadas, até porque 
“no fundo, todos somos literatura, todos somo personagens inventados por nós mesmos”. 
É bem comum o tema da morte entre os escritores. No entanto, como já disse Bukowski, o pior não é a morte, mas sim o tipo de vida que se leva antes dela. Vale reflexões, portanto, sobre o que estamos fazendo por aqui, Agora e Na Hora de Nossa Morte, sendo o criador Divino e Letal com suas criações, determinante de seus destinos, esse conto faz do Criador a própria Morte, embora não tão galante quanto o Brad Pitt, que pena! 

E nem adianta gritar A Plenos Pulmões, porque ela é implacável, e esse conto... leiam e depois me contem! Parece loucura, mas é só verborrágico, ainda que não possa negar a impressão de que o escritor definitivamente só poderia compor isso fumando, afinal 
“desveredar estanquismos, despedaçar limbos e vomitar sempre aos domingos porque domingo é uma galinha com pescoço cortado” é para poucos!
Abrindo alas da insanidade para O Comedor de Barrigas, já alerto para as referências à Allan Poe e a Lovecraft. Estômago é necessário e cuide bem dele. Um conto de horror que soube inserir humor ao suspense, e ainda utilizou personagens e localidades reais da minha terra, como Alexandre Gaioto, o Jornal O Duque e a “praça do Peladão”, tudo isso dentro de um clima macabro e doentio.

Mas vamos acelerando porque não vai dar pra ficar até às Três Da Manhã No Jardim dos Condenados, pois o tempo não para e nem descansa, 
“o tempo vai passando esperando revolução. A pele se transformando, a pressão se acelerando e tudo pedindo produção, pois o mundo é para ontem.” 
E não vivemos sempre assim? Na prisão da rotina que te condena ao sistema de pressão social nascer, crescer, produzir, procriar e vamos logo que o próximo já vem vindo bem melhor que você?

Por isso nas Ficções Que (Provavelmente) Nunca Serão Escritas, Pois São Ruins, Ricciardi trata de se desmistificar, expondo uma coleção de ideias para outros contos e estórias das quais zomba e aproveita para zombar ainda de si mesmo. Mas de onde vem a genialidade senão da parcela de loucura do ser? E se Seminário de Ratos é um sucesso, porque não “As Aranhas Não Respeitosamente Cultas”?

E se for para traçarmos Paralelos, podemos rir ou gritar, podemos compreender ou tripudiar e, ainda solidarizar ou desdenhar. Mas vamos aplaudir tudo isso junto e repetidamente diferente. Que o digam Stephen Hawking, Scarlett Johanson, Elvis, Michael Jackson, Sérgio e Lorena; Michael Jordan, Marylin Monroe; Lula, Jack Marinos, Clarice Lispector, Dilma, Marcelo e Patrícia; Harry Potter, Gandalf, Capitu, Dan Brown e Taís; Seja grego, romano ou espartano, ou ainda de Marte, Vênus ou Saturno. Seja na Terra Média ou em Nárnia. Elvis não morreu. Aplausos!

Nota: Encontrei apenas 3 erros de grafia editorial. Como ainda não consegui definir se é mais que genial ou apenas muito insano - provavelmente as duas coisas - e, considerando que contos não são meu tipo de leitura favorito, minha nota é 3/5.

  Classificação DNA

23 de outubro de 2015

Resenha: Mundo Cão - Matheus Peleteiro

Título: Mundo Cão
Autor: Matheus Peleteiro
Editora: Novo Século - Talentos da Literatura Brasileira
Páginas: 166
Ano: 2015

Unindo elementos de literatura marginal com sentimentos altruístas, surge Mundo Cão, que narra, em primeira pessoa, a história de Pedro Contino, um jovem que sofre desde cedo por conta das peripécias da vida, e, por mais que busque o melhor, vê, em sua sombra, o caos. Morador da favela Roda Viva, Pedro poderia ter traçado qualquer caminho, mas a vida escolheu um em especial. Mesmo em meio à ausência de recursos, é apresentado à literatura por um vizinho mais velho, e, por conta dela, cria uma importante consciência social. Guiado por músicas e livros, ele logo percebe como tudo funciona. Indigna-se e, amargamente, constata que não tem poder para realizar uma mudança no mundo... O caos já faz parte dele, envolvendo-se com drogas, álcool, e, para completar, com as mais belas e loucas mulheres.
 
O jovem autor Matheus Peleteiro, que lançou esta sua primeira obra aos 19 anos, destaca uma ficção muito semelhante à realidade de grande parte da população brasileira através do protagonista Pedro Contino, a quem nomeou homenageando a Pedro Pondé, vocalista da banda Scambo e Gabriel Contino, mais conhecido como Gabriel o Pensador, utilizando várias referências musicais, nos mais variados estilos, fazendo questão de não apenas se apropriar de suas ideias e inspirações mas as destacando do texto e as explicando no rodapé. (Vale a pena conferir e conhecer as músicas e as bandas se ainda não as conhecer, inclusive, ouvi-las enquanto lê o livro é muito bom!)

O próprio nome da fictícia favela soteropolitana que situa geograficamente a estória narrada em primeira pessoa pelo protagonista é musicalmente sugestiva: Roda Viva – música de Chico Buarque que retrata o círculo vicioso, a roda que não para de girar na vida das pessoas que então se sentem presas à Ditadura militar da época. No entanto esse novo modelo de Roda Viva retrata, numa escrita simples, direta e principalmente fluida, o reflexo de toda favela brasileira, de seu infinito ciclo de crimes e de segregação social e racial.

A influência do gosto pessoal do autor não se detém na seara musical, havendo também referências a séries de televisão americana, filosofia e poesia. O estilo Bukowskiano de conduzir a estória evidencia a paixão do jovem autor pelo escritor alemão, isso quer dizer que a trama se desenvolve sem firulas ou enrolações, torneada em belas pernas femininas, regada a um nível alcoólico embriagante, onde o protagonista só se f... “dá mal”, especialmente quando você acha que ele vai se dar bem.

Pedro Contino, um jovem sem recursos que foi criado pelos avós em uma favela violenta e dominada pelo tráfico, diferentemente de seus colegas que sonham em ser os “donos da boca”, quer alçar outros voos, no entanto, não é otimista ao ponto de se lançar do penhasco. Ao contrário, pelo conhecimento adquirido com os livros que teve o privilégio de ter contato, almeja apenas construir uma vida honestamente vivível: trabalhar, auferir renda, morar dignamente, viver uma paixão e escrever para deixar um legado.

Porém, “o mundo é um cão raivoso prestes a lhe devorar”, e o desfecho mostra as razões pelas quais o cão está faminto e porque é impossível impedir o seu ataque.
“O mundo é um cão raivoso prestes a lhe devorar. E você deve conquistar uma parte dele antes que seja tarde demais e ele tenha lhe engolido por inteiro.”
“Muitas vezes é difícil distinguir o que sai da boca das pessoas do que sai do rabo de um cavalo” 
(Essa é uma das frases de efeito, dentre tantas do livro que te fazem refletir em vários aspectos. Como discordar? Vamos apenas pensar que um bom lugar para sentir o odor característico de uma tropa deles acometidos de uma virose altamente epidêmica é a grande rede mundial de computadores, mais especificamente algumas redes sociais onde se encontra todo tipo de “especialista”: cientistas políticos que jamais leram O Contrato Social ou Marx; economistas que não sabem quem é Simonsen; esportistas, educadores, feministas, nutricionistas e por aí vai... ou vão, vão compartilhando asneiras como se fosse uma brincadeira de telefone-sem-fio.)

Assim, nada mais justo que coroar de jovem TALENTO brasileiro da literatura, o autor desse romance que é apenas pano de fundo a uma verdadeira crítica social que proporciona reflexão e diversão, ao passo que você imagine Hobbes* estapeando Rousseau*.

*Thomas Hobbes, e Jacques Rousseau


Classificação

7 de outubro de 2015

Resenha: O Vilarejo – Raphael Montes

Título: O Vilarejo
Autora: Raphael Montes
Editora: Suma das Letras
Ano: 2015
Páginas: 93

Em 1589, o padre e demonologista Peter Binsfeld fez a ligação de cada um dos pecados capitais a um demônio, supostamente responsável por invocar o mal nas pessoas. A Partir daí, em narrativas que exploram as profundezas mais sombrias da alma humana, Raphael Montes narra com maestria a velha disputa entre o bem e o mal.





Após traduzir os misteriosos manuscritos de Elfrida Primminstoffer, uma senhora falecida a pouco tempo, que, no entanto já contava 102 invernos, o autor Raphael Montes, finalista do Prêmio São Paulo de Literatura 2013, coloca no papel uma série de estórias (ou seriam histórias?) macabras sobre um vilarejo isolado por um inverno rigoroso e abandonado à própria sorte, ou melhor, ao próprio azar.

Trata-se de um romance fix up, ou seja, são estórias curtas e diversas que, embora estejam interligadas, podem ser lidas em qualquer ordem sem prejuízo da compreensão do todo. 

Cada capítulo representa um pecado capital, nomeado pelo seu respectivo demônio – mas não pense em monstros – as histórias se fazem marcantes justamente pela realidade, não pela fantasia, mas pelas possibilidades factíveis, pela vitalidade pulsante, pelo sangue!
As ilustrações corroboram com o clima macabro, trazendo imagens escuras de traços imprecisos, como os de HQ´s, bem característicos do ilustrador Marcelo Damm, que fez um trabalho incrível para esse livro, algumas imagens são chocantes e chegam a causar desconforto – objetivo atingido!
“_ Tenha esperança!_ Não adianta esperança... fomos esquecidos._ Esquecidos por quem, meu filho?_ Pelo mundo. Por Deus – reflete Anatole._ Ou talvez tenham sido lembrados pelo Diabo – retruca o velho. Solta uma gargalhada divertida._ Não acredito em Deus, na verdade. Também não acredito no Diabo._ Suponho que não precisem que as pessoas acreditem neles para existirem.” 
[Precisei destacar esse trecho porque realmente me provocou arrepios]

Fernanda Torres já havia comentado e eu assino embaixo, o autor não deve nada ao grande mestre do estilo, aliás, eis, finalmente, um Stephen King tupiniquim! 

Aconselho inclusive, que não leiam essas estórias pela noite, sob pena de enfrentarem problemas típicos de insônia e pesadelos. A não ser que já estejam habituados com o estilo [como sou fã de estórias e filmes de terror desde criancinha não sofri nenhuma consequência traumática. Se bem que o posfácio... ahhhh o posfácio... é simplesmente genial! ]


E aqui me permitirei uma pequena crítica: como li na ordem impressa – e não vejo motivo para fazer de forma diferente – ocorreu que tendo sido, para mim, o primeiro capítulo, o mais chocante, acabou por fazer com que os demais não superassem minhas expectativas. Gostaria de tê-lo lido num momento posterior, apesar de que compreendo que ele devia se afastar do último, mas, é claro que isso é uma questão puramente pessoal, para quem eleger outro capítulo como o mais cruel isso não fará a menor diferença.

Se eu pudesse daria uma pulinho ali na minha adolescência com esse livro a tiracolo numa roda de amigos em torno da fogueira, no sítio da minha avó e só uma palavra resumiria o desfecho: sucesso!

Classificação DNA


21 de setembro de 2015

Resenha: Que Fim Levou Juliana Klein?

Título: Que Fim Levou Juliana Klein?
Autor: Marcos Peres
Editora: Galera Record
Páginas: 350
Que Fim Levou Juliana Klein? de Marcos Peres é um romance policial que traz uma estória complexa - aliás a complexidade das tramas parece ser especialidade do autor do premiado Evangelho Segundo Hitler. Editora Record. 2013 - Trata-se de uma história ambientada num universo acadêmico, entre famílias que migraram da Alemanha para o Brasil, num passado recente e culmina em uma série de assassinatos, suicídios e mortes duvidosas envolvendo essas famílias que se odeiam ancestralmente e filosoficamente. Junte-se a este cenário um delegado interiorano desbravando a capital do Paraná para tentar solucionar esses crimes obcecadamente, intercalando apenas com seus momentos de frustação que culminam em cervejas, whisk e rabo de galo.

Antes de mais nada, preciso alertar para o fato de que esta é minha primeira resenha. Poderia ter escolhido algo menos complicado, mas não seria eu, haha.


A trama se inicia com a narração de uma psiquiatra que transcreve memórias e sonhos de uma paciente internada num suposto quarto número 206. [Post-it para esse fato do quarto 206! Meu faro de fã da literatura policial alerta.]

O tempo da narrativa viaja entre os anos de 2005, 2008 e 2011, com alguns flashbacks nas histórias das famílias Alemãs e rivais, Klein e Koch, ao século passado e no antigo continente, mas a escrita primorosa faz com que as transições não sejam caóticas, sem no entanto desmerecer a intenção de bagunçar a mente do leitor.

Embora as diferenças entre os Klein e Koch atuais sejam basicamente acadêmicas [Juliana Klein lecionando filosofia na UFPR e o ´Doutor Professor´ Franz Koch lecionando a mesma matéria na PUC], aos seus ancestrais coube iniciar a inimizade por conta de uma mulher, que despertou a paixão de dois homens: um Koch, que era seu noivo, e um Klein, que nem sabia que a moça era comprometida, e muito menos quem eram os Koch. Nem só de pão vive o homem, muito menos de filosofia, mas necessariamente de amor - sinto muito Nietzsche, Sartre, Platão, Dante Aliguieri e Santo Agostinho [eu disse que era complexo!], mas sem Shakespeare nada faria sentido nessa estória.

Discussões sobre antíteses e paradoxos, sobre predestinação e livre arbítrio, baseadas em Santo Agostinho, Sartre e Nietzsche envolvem a nova rotina do Delegado Irineu, destacado de sua cidade do interior do Paraná para ajudar na investigação de um crime na capital Curitiba, crime este que supostamente estartou uma série de outros assassinatos envolvendo as famílias Klein e Koch.

Irineu é descrito como um charmoso boêmio que acaba se envolvendo nessa história além do que deveria, com isso quero dizer se envolvendo nos braços (pernas) e na cama de uma Klein, o levando a ser passional e até mesmo irresponsável na seara profissional, doentiamente obcecado em solucionar a trama.
"Sinto em meu sangue. Vejo os fantasmas do passado e sei que o futuro tende a repetir - não é preciso ser um Klein ou um Koch para saber isso. Estudei Nietzsche e aprendi duas coisas. A primeira é que o livre-arbítrio é uma falácia, um argumento covarde dos que não conseguem perceber que o mundo, para o bem e para o mal, está escrito no passado. Nietzsche escreveu em uma parábola: 'Esta conversa, os detalhes desta conversa, o que somos, o que fazemos, tudo já foi feito.' A história é finita e cíclica. O fim gera um novo começo. E se o passado inevitavelmente se repete no futuro, devemos compreender, portanto, que o livre-arbítrio é um argumento não dos otimistas, mas dos hipócritas e dos estúpidos, que não conseguem ler o mundo à sua volta. Assim como na literatura: Montecchios e Capuletos, Klein e Koch, quantos não existiram, quantos ainda não existirão? Quantas vezes um delegado do interior não conversou com a filha de um estrangeiro, em busca de solucionar um caso? Somos arquétipos intemporais, Irineu. O que somos, já o foram muitas vezes, e o serão outras tantas, infinitas..."
Esse é meu destaque favorito no livro que me fez voltar a amar o gênero policial, porque me fez refletir por horas sobre o que vem primeiro, o ovo ou a galinha? Uma história pode se repetir, mas quando foi escrita pela primeira vez? Em algum momento se fez inédita... ainda vou pensar muito e não chegar a conclusão nenhuma, fato! Mas para Juliana a teoria cíclica de Nietzsche é nada menos do que óbvia.

Juliana Klein é casada com Salvador Scaciotto que também é acadêmico e eles tem uma filha, Gabriela Klein Scaciotto, que sofre todas as consequências de ver sua família sendo dizimada e com a possibilidade assente de ser a próxima vítima, ao passo que Irineu se sente responsável por mantê-la a salvo, o que, de uma forma surpreendente, é o que acaba acontecendo.

Que Fim Levou Juliana Klein, afinal de contas? Esse trabalho praticamente hercúleo de Irineu não chega ao fim com a última página. O autor inova no epílogo, mostrando aos leitores três hipóteses sobre o que pode ter acontecido com a personagem que leva o nome da obra. (E aqui me pergunto: seria possível ainda um outro fim?)

Esse livro conquistou meu coração com seus personagens fortes e intrigantes, me deixando com vontade de os conhecer ainda mais profundamente; com sua narrativa intensa, repleta de indagações, surpresas, revelações e reviravoltas, e ao mesmo tempo, fluida e coerente.

Minha leitura levou três dias, foi uma sensação de compulsividade, devorando as letras com os olhos, pois o gênero policial que eu tanto amo, com toda minha devoção ao Sir Arthur Conan Doyle, à preciosa Agatha Christie e ao genial Sidney Sheldon, foi muito bem representado por esse autor que escreve divinamente e que não tem nada de promessa da literatura nacional, só realidade.

Classificação DNA

17 de setembro de 2015

Resenha: Amor e Ódio

Título: Amor e Ódio
Autor: Luis Madureira
Editora: All Print
Páginas: 237

Após um ano de muito trabalho, nada mais justo do que uns dias de merecidas férias. Assim pensou a linda jovem Alva Ward, quando resolveu embarcar no luxuoso navio italiano Imperatore, para um prazeroso cruzeiro pela costa brasileira. Contudo, o assassinato de dois passageiros pouco após o início do cruzeiro, colocaria por água abaixo a tranquilidade de todos a bordo. Em meio a uma acalorada disputa travada entre o Oficial de Segurança do navio Imperatore e o Tenente Raí Duran da Divisão de Homicídios da Polícia do Rio de Janeiro, a jovem Alva Ward vê-se colocada ao mesmo tempo nos papeis de suspeita pelos assassinatos e de chave na solução dos mesmos. Em qual papel ela se sairá melhor? Para saber, só mesmo embarcando no Imperatore junto com os personagens de Amor e Ódio.
Olá gente, tudo bem com vocês? 
Hoje trago a resenha de Amor e ódio, livro do nosso parceiro Luis Madureira. Esse é o terceiro livro que leio do autor, sendo uma continuação do livro Joia Rara ( Resenha Aqui • ) apesar de serem estórias independentes aconselho a leitura de joia rara primeiro para conhecer melhor nossa protagonista.
Aprenda esta lição. Às vezes vale mais a imagem da realidade que você coloca na cabeça das pessoas, do que a realidade de fato.
Em Amor e ódio somos apresentados a uma turma de formandos do curso de Administração  planejando sua tão sonhada viagem de formatura a bordo do luxuoso navio Imperatore. Viagem essa organizada pelo os representantes da turma: Beto, Toni, Dodô, Bela, Clara e Tati. Logo no inicio da leitura temos uma breve introdução a cerca da personalidade de cada um dos seis protagonista, identificando certas características importantes para o desenrolar da estória, como ciúmes, inveja e até raiva.. 


Tudo pronto para o cruzeiro? hora de entrar a bordo do Imperatore. Dentro do Navio conhecemos uma simpática senhora chamada Rosa que logo faz amizade com Alva Ward (lembram?) isso mesmo, nossa querida Alva já conhecida em Joia Rara está de volta e ainda mais bela e provocante, dessa vez disposta a tirar suas merecidas férias...

Alva e Rosa se juntam ao grupo de formandos na primeira noite a bordo, no total oito pessoas buscando conforto, diversão e paz, porém, uma delas nutria um desejo latente de vingança.. 


Duas pessoas mortas, um assassino, mas quem? para resolver o mistério a cerca do crime entra a bordo O tenente Rai Duram, disposto a manter sua fama: 100% de casos resolvidos! e como ele mesmo diria: "não existe crime perfeito, existe crime mal investigado".

Mais uma vez O Luis me prende em uma de suas estórias e me faz perder o sono tentando desvendar mais um crime junto com o Tenente Rai, e como já disse antes sou uma boa detetive haha, dei um palpite e acertei em cheio mais nunca imaginaria o porquê..
Admiro muito a maneira como o autor constrói sua estória, pesando bem o suspense e nos deixando sempre querendo ler "só mais uma página", outra coisa que gosto é que mesmo com um número extenso de protagonista, nenhum deles tem seu espaço diminuído, pelo o contrário.
Em comparação com os outros dois livros que li do autor (Aparências e Joia rara) Aparências continua sendo meu favorito, mas para quem prefere uma narrativa mais objetiva e curte um bom romance policial recomendo que embarque no Navio Imperatore e tenha uma boa "viagem".. 

Classificação DNA



15 de setembro de 2015

Resenha: Juntos para sempre


Título: Juntos para sempre
Autor: Walcyr Carrasco
Editora: Arqueiro
Páginas: 206
Alan é um advogado bem-sucedido de São Paulo e leva uma vida aparentemente perfeita: mora em uma cobertura luxuosa, namora uma mulher lindíssima e pode ter tudo o que quiser. Mas todas as noites é atormentado por um sonho que o leva a um amor de outra vida. Assiste à morte na fogueira de uma jovem. E nesse momento promete: “-Eu me amarei para sempre!”. Quando desperta o sonho fica em sua cabeça. Envolvido por esse mistério, Alan vive dias de angustia.Tudo muda quando ele viaja para uma cidade do interior e encontra uma moça semelhante à que aparece em seu sonho. A profunda emoção que sente ao vê-la confirma que é a mesma pessoa. Essa é a primeira de várias evidências de que nada acontece por acaso. Mas, para seu espanto, a moça foge aterrorizada ao deparar com ele. Agora Alan precisa descobrir quem é essa mulher e qual é a ligação entre eles. Para isso, terá que rever sua existência e descobrir que as coisas realmente importantes não podem ser compradas.Auxiliado pela Terapia de Vidas Passadas, ele se entregará a uma árdua jornada de autoconhecimento. E entenderá que, embora o passado não possa se mudado, há uma nova vida para superar os erros e refazer os laços de amor, em busca de um futuro luminoso.
    


Oie , como vocês estão? Por aqui tudo tranquilo, apesar da correria.
Eu tinha um conceito que Walcyr Carrasco escrevia somente novelas para TV, alguém mais ou só eu mesmo? rs - Autor da TV Globo, escreveu novelas como: Alma gêmea, O cravo e a rosa, Chocolate com pimenta entre outras. 
Sinceramente acho que este livro dava uma novela, daquelas gostosa de assistir, faz muito tempo que não acompanho uma novela, sei lá, ultimamente só vejo maldade, vingança, pra falar a verdade eu gostava muito dos estilos de Alma gêmea e ria muito com O cravo e a rosa, era mais divertido, tinha mais emoção, mais inocência também. Acho que o mundo precisa de coisas boas, só temos visto coisas ruins, não me levem a mal. Ok, já falei muito, vamos ao que interessa a resenha.

Dr Alan Perez, advogado bem conceituado, mora em São Paulo. Tem uma namorada que adora exibir, Érica (minha xará - somos totalmente diferentes). Ela modelo, linda, alta, loira, silhueta de dar inveja, eles se davam bem, Érica gastava e Alan pagava, sempre elegante, os dois sempre estavam juntos nos eventos da cidade. 
- Dr Alan, bom dia. Ainda bem que o senhor chegou. O Sr. Tobias ligou várias vezes. Disse que tem urgência em falar com o senhor.  
Alan era amigo de Tobias a muito tempo, sempre que possível Alan ajudava o amigo e sua família. Tobias era o tipo de homem que sempre buscava mais, sempre acreditava que ia ganhar uma fortuna, vivia trocando de emprego. Eu diria um aventureiro sem juízo. 
Alan era grato pelo ajuda de Tobias e sua família, então sempre ajudava o amigo de um jeito ou de outro.  Tobias tinha esposa e filha, já Alan achava que o casamento deveria ser tratado como um acordo, aquele em que a mulher é escolhida a dedo, tipo somos compatíveis e pronto. Amor? Alan não era do tipo que acreditava no amor ou na paixão.

Apesar de toda essa agitação, dessa vida corrida, ele tinha um sonho, o mesmo sonho o atormentava frenquentemente, acordar com o coração acelerado e suando era quase rotina, depois não conseguia mais dormir e esperava o dia amanhecer.
- O que ele deixou? Não vá dizer que foi um circo. - Já estava vendo meu amigo dependurado num trapézio. Continuei: - Não, não! Tobias, você pretende dirigir um circo? ... Eu não vou deixar você sair por esse mundo afora com mulher e filha.
Claro que o Dr. Alan iria ajudar o amigo, mesmo distante de sua mãe e irmã ele sempre as ajudava e com Tobias não era diferente. Então ele viaja até a cidade para conversar com o advogado do tio do seu amigo. O que ele não imaginava era que isso mudaria sua vida. Uma cidade do interior que despertasse algo novo em Alan.  E já no primeiro dia, uma visita para conhecer melhor o lugar ele já ficou surpreso.
...Os cabelos cumpridos e negros escaparam do capuz e voaram sobre o rosto dela. Ela parou. Tirou o capuz. Tentou prender os cabelos. Eu a olhei mais uma vez. Era ela. A jovem que aparecia nos meus sonhos.
Engraçado né, as vezes eu tenho a impressão de já conhecer certa pessoa, ter visto em algum outro lugar, as vezes algo do tipo "meu santo não bateu" se perguntar o motivo não sei dizer. Isso acontece com vocês? Bom, Alan teve isso, reconheceu a moça dos seus sonhos, ela o olhou nos olhos e fugiu e isso despertou sentimentos dos quais ele nem sabia que seria capaz de sentir, a frase do sonho se repetia em sua cabeça insistentemente:
- Eu te amarei para sempre! Para sempre!
Seria essa a mesma moça? Saberia ela dizer o motivo dos sonhos? Como a encontraria novamente? O que fez ela correr? Ele teria que ficar mais tempo na cidade, pois precisava achar respostas. Se teve uma coisa na qual ele não pensou enquanto esteve fora, foi em Érica.

O livro retrata a reencarnação, retrata o encontro de vidas passadas no tempo atual. Esse reencontro é tratado de um jeito suave, intuitivo, uma busca por querer saber mais do sonho repetitivo, de certos medos, certa falta de afeto. Acredito que vai de cada pessoa, uns acreditam outros não. Penso eu que seria egoísta achar que só existe nós nesse universo. Como o psiquiatra me disse uma vez, temos que acreditar que existe algo além disso tudo. Esse é um pensamento meu, fui católica, já visitei centro espirita e hoje sou evangélica. Também não quero discutir religião, porque cada um acredita naquilo que acha certo, quem sou eu para dizer quem é certo ou errado e a aqueles que não acreditam em nada. A vida é assim, o que seria do azul se todos gostassem do rosa né.
Bom fico por aqui, até breve. Espero que tenham gostado. Abraço. (P.S. não deixe de comentar




CLASSIFICAÇÃO DNA
   

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